Hoje, começo uma nova etapa , o desafio de escrever sem revisão e sem preocupação com o universo gramatical, somente o que me proporciona o Google!”
Seresteira
Ser e estar
Ser esteira
Ser estrela
… então, a estrela compreende que, para brilhar, é necessário abrir mão de brilhar.
Num momento em que parece que as palavras entraram de férias, ou, simplesmente se tornaram enxutas, sinto uma necessidade de pôr no papel uma história que começou há exatos 16 anos… Dizem os mestres que viver é só uma experiência…. então vamos lá.
Desde muito nova, achava a vida sem sentido, nascida e criada no interior de Minas, um lugar que nem banca de revista tinha, tampouco pegava televisão, talvez por isso, era muito desavisada, sequer sabia que existia um curso chamado psicologia.
Parto aos 17 anos para estudar na cidade grande. Queria estudar medicina, mas, achava que era burra e que não daria conta, fui para a enfermagem e no meio do caminho resolvi fazer vestibular para letras, como fiz!
Morava em uma pensão de moças e um dia conversando com uma delas perguntei o que ela estudava, psicologia disse, e o que que estuda nisso? Ela me explicou e eu disse: vou fazer vestibular para isso! Só que já me havia inscrito para letras, ela disse: faz inscrição na FUMEC ( fundação mineira de educação e cultura) , é uma boa faculdade.
Passei em Letras, na Federal, e em Psicologia, na FUMEC, cursava os dois. Até que num ponto foi impossível seguir assim, então optei pela psicologia.
Formei e não consegui trabalhar com a psicologia, precisava ganhar dinheiro.
Tornei-me funcionária pública.
40 anos, funcionária pública, casada, um casal de filhos adolescentes, nenhuma aquisição de bem material, tampouco perspectivas de consegui-las. Perspectivas profissionais dentro do mercado de trabalho??? Curriculum Vitae??? Talvez pudesse chamar currículum mortis, um trabalho de vendedora em uma loja de departamentos, que há alguns anos falira e 11 anos de funcionalismo público, e… um diploma de psicóloga. Nossa quanta qualificação!!!
E muita, muita vontade de pedir demissão… todos os dias saía de casa às 7 da manhã e voltava às 7 da noite, sentia como se estivesse indo para uma prisão.
O que fazer???
Nessa época, participava de um grupo, que fazia um trabalho de consciência, dirigido por um Ser que se dizia do mundo molecular, seu nome ZAMBARADO, apelido OW. Parecia que pouca coisa eu entendia desse trabalho, a única coisa que sabia era que ali era um lugar de movimento e mudança. Um lugar em que me sentia extremamente incomodada. Mas, por “sorte”, eu nem pensava em largar esse trabalho.
Um dia, minha sogra ia prá Espanha, à passeio, e, como era de praxe, pedi ao Zambarado uma dica de algo para ela trazer de lá, imaginando que ele diria: um conhaque espanhol, ou um vinho, ou um objeto antigo, qual não foi minha surpresa quando ele diz: peça um livro de Sidney Rosen, chamado Mi Voz Irá Contigo, que falava sobre o trabalho de um psiquiatra norte americano chamado Milton H. Erickson.
Comecei a lê-lo e fui ficando encantada com o trabalho daquele senhor. Não entendia bem como ele (Erickson) fazia, mas os resultados eram maravilhosos.
Nesse meio tempo, continuava eu, no trabalho de funcionária pública, ainda sem saber o que fazer. Vem, então, um plano de demissão voluntária, pensei, é agora ou nunca.
Chamei meu marido e disse da minha vontade de pedir demissão, na época ele trabalhava como corretor de imóveis e ganhos muito incertos. Aluguel prá pagar, contas, colégio dos filhos, seguro saúde ( que no caso perderíamos), compromissos mensais inadiáveis… o que fazer??? Meu marido disse que me apoiava, e, que quanto maior a liberdade, maior a responsabilidade, que venga el toro, pensei.
E… PEDI DEMISSÃO!!!
Fiquei um ano cuidando do lar e de seus componentes, hoje, entendo que esse período foi uma espécie de recolhimento para a realização da mudança. E, ao final desse ano, veio a pergunta… e agora o que fazer? 41 anos… aí me lembrei: oh! tenho um diploma de psicóloga… vou virar psicóloga, trabalhar com consultório, mas como? Onde?
Duas amigas tinham uma empresa de elaboração de projetos que funcionava numa casa no bairro floresta e uma delas, Sônia, me ofereceu uma sala para montar o consultório, eu disse: mas não tenho móveis e nem dinheiro prá comprar. Ela disse: venha, a gente arruma alguns aqui mesmo.
Fui e numa salinha de 4/4 fizemos um consultório que ficou bem aconchegante.
Todas as tardes, ia eu para o consultório; ficava lá lendo e pensando como fazer para divulgar meu novo trabalho? Numa cidade em que o nº de inscritos no CRP (conselho regional de psicologia) já passava de 5000…?
E então a pergunta muda… e, se chegar alguém, o que fazer???
